Quando os gatos dizem não
Vanessa Lampert | 23 de janeiro de 2012 | x | Animais | Nenhum comentário

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Gatos têm suas próprias opiniões. Geralmente eles são legais e amigos, mas de vez em quando querem ficar sozinhos ou fazer outras coisas que não as que os outros querem que eles façam, exatamente como eu ou você.

Meus gatos são famosos pelas caras de amor que fazem quando tiram fotos abraçadinhos comigo. Geralmente ficam felizes com as sessões de foto (principalmente o Tiggy), a alegria é totalmente espontânea. Se tem uma coisa que você nunca conseguirá é fazer um gato demonstrar algo que ele não esteja sentindo ou não demonstrar exatamente o que ele está sentindo.

Eu não acredito na irracionalidade animal, quem convive com eles sabe que raciocinam mais do que muita gente que a gente conhece. O que acontece é que os animais são muito mais emoção do que razão, quase como uma criança de dois anos. São um potinho de sentimentos e agem de acordo com eles, na maioria das vezes (com raríssimas exceções, e o Gatão era uma delas). Muitas pessoas, infelizmente, agem exatamente assim e se transformam em seres irracionais, sendo levadas por seus impulsos, acreditando na sentença destrutiva “siga o seu coração” (não faça isso, por favor! Siga a sua cabeça e guie o seu coração).

Hoje tentei tirar fotos com os meus gatinhos, como já fiz diversas vezes. Era o meu aniversário e achei que seria bacana uma sessão de fotos com meus filhotes e aquelas carinhas de amor que só eles sabem fazer. Mas eles queriam brincar. E não era brincar de tirar foto, queriam perseguir fiozinho, atacar ratinhos de brinquedo e correr atrás do outro. Ricota queria muito morder meu vestido, também. Não estavam com a menor vontade de ser fofinhos.

A expressão de extrema felicidade no rostinho deles não poderia ser mais clara. Você consegue claramente captar o que estavam pensando naquele momento. “Socorro” e “me larga, mamãe” poderiam estampar as legendas. Como boa Felícia, publico as fotos mesmo assim.

Estão no Facebook e no Flickr. Clique aqui para ver!

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Dia internacional da Vanessa
Vanessa Lampert | 23 de janeiro de 2012 | x | Registro histórico | 2 comentários

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Acordei hoje um ano mais velha do que ontem. Acontece uma vez por ano. Para compensar, as pessoas nos parabenizam, algumas dão presentes e meu marido faz meu bolo preferido. Receber atenção te faz ficar menos impressionada com o fato de acordar mais velha do que no dia anterior, na verdade, você nem pensa mais nisso. Fica até feliz e espera que aconteça novamente no ano seguinte.

Hoje é dia de agradecer pela minha vida, por tudo de maravilhoso que tem acontecido, pelas lutas e dificuldades (sim, eu agradeço por elas, pois fazem de mim uma pessoa mais forte à medida em que as venço), por tantas coisas bonitas que Deus nos dá diariamente e que só enxergamos se não estamos focados nos problemas.

Foram tantos aniversários em que eu erroneamente pensei que não tivesse motivo algum para comemorar…a minha forma de ver as coisas era equivocada e eu acreditava que aquilo era a realidade. Quando seu olhar muda, sua vida muda, também.

Faço aniversário quando todo mundo está de férias. As pessoas nem se deram conta do início do ano e cá estou eu, trocando de idade. O dia hoje está exatamente igual a todos os anteriores (menos a chuva, obrigada, Senhor) e talvez o Davison não faça nada de especial (fora o bolo de chocolate com café, que ele já prometeu – dona Dieta está de folga hoje –  e fora o livro fofinho “Gatinha, já pro banho!”, de Nick Bruel, que ele me deu), mas no final da manhã do dia 23 de janeiro de 1980 eu vim a este mundo…é um acontecimento que merece ser relembrado. Horas depois, fui para a UTI, onde fiquei cerca de dez dias…meu primeiro 23 de janeiro teve fortes emoções, por isso nem faço questão de fortes emoções neste dia, mas fico incrivelmente feliz com os recadinhos no facebook, no orkut, no twitter, nos comments e o fato de pessoas queridas entrarem em contato me faz tão feliz que fico alegre até mesmo com os emails automáticos que as lojas mandam de “Feliz aniversário, Vanessa!” Mesmo sabendo que elas dizem isso para todos…hahaha…

A propósito, a Rede Record me deu um presente de aniversário: a Minissérie Rei Davi começa amanhã, dia 24, às 23h. Não começa hoje porque hoje é segunda, não é dia de começar minissérie. Uma superprodução sobre um dos meus personagens bíblicos favoritos e que começa um dia depois do meu aniversário…óbvio que é um presente!

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Minha virada de ano
Vanessa Lampert | 31 de dezembro de 2011 | x | Sem categoria | Nenhum comentário

Eu não comemoro o natal. Sei que isso não tem nada a ver com a virada do ano, mas é que quando as pessoas sabem que eu não comemoro natal, já imaginam que não comemore o reveillon, como se as duas festas viessem grudadinhas uma na outra. Não vêm.

Antigamente havia a “tradição” de passar a virada do ano vendo fogos na televisão (oh, céus, que coisa inútil), também me lembro de algumas viradas de ano que passamos com a família, vestidos de branco (eu gosto de roupa branca, então essa parte é legal), para repetir a comilança do natal. Lembro de viradas do ano em minha adolescência em que, pelo prazer de ser do contra, eu me vestia de preto.

De uns anos para cá, passamos a virada do ano na igreja. No começo era uma coisa religiosa, porque eu trouxe da minha igreja anterior um comportamento bastante religioso. Sabe aquela coisa de pular sete ondas, de jogar uma oferenda no mar, de participar de uma missa, de um culto? Pois é. Eu não pulava ondas, nem jogava oferenda no mar, mas a coisa ritualística é a mesma. Há poucos anos mudei minha maneira de enxergar as coisas e passei a viver o que antes era só teoria. Então não passo mais a virada na igreja, passo na presença de Deus e isso faz toda a diferença.

Estou lá com todo o meu coração, com toda a minha força, para entregar o ano que passou e o próximo ano. Tomo como certo que Deus está ali e vou até lá passar a virada do ano com meu Pai.  Não é uma experiência emocional, é uma certeza muito forte de que Ele está comigo e estará comigo em todos os dias do novo ano.

Então, temos essa reunião especial na igreja no dia 31 de dezembro, que começa às 22h e termina pouco depois da meia-noite. Fazemos oração pela família, agradecemos pelo ano que passou e há uma oração feita durante a virada do ano, onde consagramos nosso novo ano a Deus e buscando a presença dele em nossas vidas. No final, as pessoas geralmente se cumprimentam, abençoando os que estão ao seu redor.

Termino a reunião com a certeza de que Ele está comigo e que estará comigo em todos os momentos e isso me dá força para qualquer situação. Vou fazer uma retrospectiva do que foi 2011 para mim, muito mais do que eu poderia imaginar quando determinei, na vigília da virada de 2010 para 2011, que este ano seria de grandes vitórias.

Não importa onde você está agora, nem como foi seu 2011, nem quem você é ou o que você fez…que 2012 seja um ano de surpresas positivas, saúde, paz, alegria e liberdade. Sabe aquela sensação de tranquilidade mesmo no meio de uma tempestade, de problemas que parecem não ter fim? Sabe aquela certeza de que esses problemas irão terminar em breve e que uma coisa extraordinária está para acontecer? Então você vê se realizar na sua frente aquilo que esperava há muito tempo.

Um excelente 2012 para todos os meus leitores! Recebam a energia positiva (e não é energia positiva?) que eu mando daqui. Recebam a força e a convicção de que este próximo ano será infinitamente melhor do que o anterior e que nada – absolutamente nada – é impossível.


FELIZ 2012!


PS: Caso você esteja de saco cheio de pular ondas, usar peça de roupa nova, calcinha amarela, verde, azul, rosa choque, branca e nada mudar, dizer “ano novo, vida nova” e continuar sempre a mesma porcaria e queira fazer algo novo nesta virada, eu vou na Av. João Dias, 1800, aqui em São Paulo (costumava ir em Porto Alegre na Av. Julio de Castilhos, 607), começa às 22h. Sacanagem eu não compartilhar algo que me faz tão bem. Fica o convite.


Graminha de trigo

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Eu comprava isso para os meus gatos na feirinha orgânica de Porto Alegre. Comprava várias bandejinhas e montava em cima de uma bandeja quadrada de madeira (já que o Tiggy queria deitar nas bandejinhas minúsculas de grama, o que as amassava e impedia que os outros comessem). Muita gente que viu as fotos do Tiggy deitadinho na grama na época me perguntou como eu fazia. Era chato porque eu comprava pronto em Porto Alegre e não conseguia ajudar quem estava em outra cidade.

Hoje me deparei com um fórum de mamães de porquinhos da índia e descobri um passo-a-passo feito por uma moça que se identifica como Panqueca. Vou colocar o PAP dela aqui e o link para vocês acompanharem o tópico inteiro, que é muito interessante. E se você tem porquinho da índia e ainda não conhece o fórum, pode te ajudar.

Bacana saber que isso serve não apenas para gatos. Aliás, se você não tem gatos, nem porquinhos-da-índia, mas se interessa por alimentação natural e saudável, essas são as graminhas utilizadas na fabricação do suco de clorofila. É para isso que os japas de Porto Alegre vendiam, aliás, e ficaram um pouco chocados quando a sem noção aqui resolveu dizer que os gatos adoravam deitar naquela grama (eu achei que eles ficariam felizes em saber).

Bem…bora para o PAP da Panqueca (não é receita de panqueca, tá? Panqueca é o nome da porquinha-da-índia da moça. Achei o máximo, já que minha gata se chama Ricota):


“Faça você mesmo: Grama para porquinho!

Olá pessoal! Vi essas dicas e resolvi seguir, e agora compartilho com vocês: GRAMA DE TRIGO!


Os porquinhos amam, além de ser super nutritiva! E o melhor, é super fácil de fazer, e você não precisará nem de solo (terra) para isso.

Você vai precisar de:

- Trigo em grãos (integral);

- Pote plástico escuro e tampa;

- Bandeja plástica ou algo similar;

- Plástico para cobrir a bandeja;

- Papel toalha;

- Água;

- Carinho!


Siga o passo-a-passo abaixo:

Compre trigo em grãos, assim:

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Coloque um punhado de grãos de trigo de molho em água num pote escuro, e cubra. Deixe de molho por 24 horas.

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No dia seguinte, algumas sementes já estarão até brotando. Escorra.

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Prepare uma bandeja plástica.

Forre a bandeja com algumas folhas de papel-toalha e espalhe as sementes por cima.

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Molhe bem e cubra com um plástico (pode ser desses de cozinha).

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Deixe coberto com plástico por 2 a 3 dias, num lugar que receba bastante luz solar (sem pegar sol direto!), sempre observando se está úmido (é importante estar sempre úmido).

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Mantenha úmido, as sementes vão brotando…

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Com 3 a 4 dias, estará assim, e você pode retirar o plástico. Mantenha em local iluminado e não se esqueça de regar ou borrifar água umas 2x ao dia!

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Com cerca de 6 dias, estará assim…

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Mantenha em local arejado, e observe a raiz, pra ver se não há formação de mofo.

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Com 7 dias… um “tapete” de grama lindo!

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Você pode deixar crescer por mais uns dias, ou, se for ansioso como eu, pode dar aos seus porquinhos!

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Eu fiz 2 bandejas dessas, coloquei uma inteira pra ver como reagiam. Gostaram muito! Mas como elas puxam a folha e vinha a raiz e tudo mais, bagunçando, resolvi cortar a grama e dar assim:
(Nota da Vanessa: isso serve apenas para porquinhos da índia, se você cortar a graminha para os gatos, perderá toda a graça e eles ignorarão solenemente. Deixe que arranquem, que deitem em cima, arrastem pela casa…ou todo o trabalho terá sido em vão, a menos que você fique segurando os toquinhos de grama até eles terminarem de comer, o que, convenhamos, não é a ideia)

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Cortando a grama assim, dá pra deixar crescer novamente na bandeja por mais 1 ou 2 vezes. Com o tempo, como não há solo, é normal que comecem a se formar fungos nas raízes. Aí, é hora de descartar tudo e começar novamente!

Mantenha a graminha úmida mas não molhe demais, para não estragar as raízes.

Se preferir, pode plantar em vasos com terra, assim não terá o problema do mofo e poderá cortar e deixar crescer novamente por mais vezes.”

No tópico do fórum, há pessoas dizendo que plantaram alpiste (é o que a gente encontra pra vender em pet shops, em potinhos minúsculos e ridículos, que só servem mesmo para filhotes igualmente minúsculos e ridículos), outras dizendo que plantaram o trigo na terra. Clique aqui para acompanhar o tópico.

Vou fazer, preciso arranjar uma bandeja baixa do tamanho que o Tiggy gosta, para iniciar o processo. O bom é fazer duas, alternadas, para sempre ter uma graminha pronta quando a outra já estiver detonada.  Porque, sejamos sinceros, é bem fácil detonar matinho…

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…Não é?

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Deixar partir
Vanessa Lampert | 7 de novembro de 2011 | x | Amor, Animais | 8 comentários

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Nas férias, revisarei e completarei um livro que escrevi em 2006, a biografia do Tiggy (se alguém quiser reclamar de eu ter feito um livro com protagonistas felinos, lembre-se de que Akif Pirinçci ganhou o prêmio de melhor romance policial por Felidae). Um trecho dele diz muito a respeito deste domingo, é a cena em que ele acorda da cirurgia após o acidente e vê a gatinha Tina, que fora resgatada antes dele do estacionamento do Hospital Souza Aguiar :

“Acordei bastante tonto, mas reconheci imediatamente aquele miado. Tina estava ao meu lado, já sem as manchas de sangue, recuperada, embora ainda sem o olho esquerdo e sem um dos dedos da pata dianteira esquerda. Contei a ela o que havia acontecido. Me sentia abatido, cansado, sem vontade de fazer nada, nem brincar. Minha boca estava estranha, eu ainda sentia dores, embora a ardência que eu sentia sob o queixo tivesse desaparecido, restara apenas um estranho latejamento. A pata direita estava imobilizada, era difícil andar. Tina me contou que a tia Andréa cuidara dela, e que a casa estava cheia de outros gatos. Alguns já conhecidos nossos, outros, do parque que ficava em frente ao estacionamento e do qual Tom já me falara horrores, e outros, de diversos lugares. Perguntei, esperançoso, por minha mãe ou meu irmão, mas ela disse que eles nunca haviam estado lá. Antes que eu pudesse ficar triste, ela me ensinou algo que eu levei para toda a minha vida:

- Amarelo, pessoas passam pela vida da gente, gatos passam pela vida da gente, lugares passam pela vida da gente. É importante amar e se envolver enquanto eles ainda estão em nossa vida, e deixá-los partir quando não estiverem mais. Só assim você conseguirá viver, continuar lutando: se recomeçar sem olhar para trás. Eu sinto falta da minha família, dos humanos que moravam comigo, mas eles me deixaram naquele lugar, me esqueceram. Ainda acredito que alguns deles sintam a minha falta, mas não penso mais nisso. Eu os deixei partir de dentro de mim. Deixei partir a casa, os móveis, minha poltrona favorita, o cachorro que era meu amigo. Agora eu me dedico à tia Andrea. Ela diz que eu vou para outra casa, que vou ter um lar. Tem gato que se agarra a isso, e se esfrega em todo mundo que aparece aqui, outros gatos não aprenderam a deixar o passado ir, e muitos até adoecem por isso. Alguns morrem, acredite, morrem de tristeza. Eu estou feliz com o que vier. O Criador me deu outra chance, ele sabe o que faz.”

E mais para a frente, Tiggy conta:

“Uma dessas pessoas levou a Tina. Isso nos pegou de surpresa, e ela não sabia se ficava com medo ou agradecida. Nos despedimos, desta vez com alegria e esperança. Depois eu soube que ela estava bem na nova casa, que tinha amigos gatos e era muito amada por sua nova família. Fiquei muito feliz por ela e, seguindo seu conselho, a deixei ir. Guardei as lembranças em uma gaveta bem especial, e segui, sem olhar para trás”

—–

Transcrevi isso aqui porque ontem deixei o Gatão partir. Ele comeu um pedaço de sacola plástica, teve uma obstrução, fez uma cirurgia e, no final das contas, não resistiu. Foi tudo muito rápido. Ontem cedo, internado na clínica, ele teve uma parada cardiorrespiratória e foi para o céu dos gatinhos. Não, ele não estará sempre ao meu lado, porque se fosse para ficar ao meu lado, não precisaria ter morrido. Ele está agora em um lugar onde pode comer toda a ração que quiser e isso jamais lhe trará qualquer problema de saúde.

Obrigada, meu Deus, por ter me dado a oportunidade de passar cinco anos ao lado dessa criaturinha tão especial. Ele era meu gatinho mais companheiro, extremamente inteligente e carinhoso, brincalhão, divertido, entendia tudo, tudo mesmo e era um excelente amigo (além de muito fofo, parecia um ursinho). Os outros, talvez por serem mais novinhos, são muito sem noção, não me comunico com eles tão bem quanto me comunicava com ele.  Fico feliz por ter proporcionado a ele um lar de verdade após tirá-lo da rua já adulto, vítima de abandono. Teve um lar com muito amor, segurança e cercado de cuidados.

Ele não gostava de me ver triste, então me lembrei desse trecho que eu havia lido dia desses (que fala de algo que aprendi com os gatos). Vou guardar as lembranças em uma gavetinha muito especial e deixar meu amiguinho partir de dentro de mim.

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PS: Lembrei de um post que escrevi sobre ele em março, escrevi o texto enquanto ele dormia no meu colo, tirei várias fotos para ilustrar o post (coloquei só uma, mas tirei várias) e o folgadinho não acordou :-) Clique aqui para ver.


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Rato na Elma Chips
Vanessa Lampert | 14 de outubro de 2011 | x | Sem categoria | Nenhum comentário

Depois do desgaste com o Toddynho em Porto Alegre, a Pepsico agora tem de explicar o aparecimento de um rato morto dentro de um pacote de Snacks da Elma Chips.

Hoje meu marido me mostrou um vídeo e não pude evitar de relacioná-lo aos recentes fatos. A prova de que a Elma Chips sempre soube da existência de ratos em sua linha de produção…e não achava ruim.


PS: Só fiquei com dó de imaginar essa simpática ratinha morta dentro de um pacote de salgadinhos.

PS2: Para ler a notícia real sobre o rato morto encontrado dentro do pacote de Elma Chips, clique aqui.


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Saia da rotina
Vanessa Lampert | 4 de outubro de 2011 | x | Sem categoria | Nenhum comentário

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Li  uma matéria bem interessante no  R7 (clique aqui para ler) , escrita por Carolina Gonçalves, e me chamou a atenção a seguinte afirmação: “O clínico geral Filippo Pedrinola explica que a mudança da rotina, nem que seja de pequenas coisas, pode estimular novas conexões cerebrais. Esse fenômeno é conhecido como neuroplasticidade e ajuda nossa mente a ficar mais alerta.”

Eu sou entusiasta da neurociência, e em livros do tipo “Mantenha seu cérebro vivo” existe essa premissa de que desviar um pouco a rotina é um excelente exercício neuróbico. Então algo que eu julgava ser um defeito é, na verdade, uma qualidade! Meu cérebro deve ser uma explosão louca de novas conexões cerebrais! Eu deveria estar descobrindo, nesse exato momento, assim, no gerúndio, teorias revolucionárias, concluindo a Teoria de Tudo, sonhada por Einstein, e que deixaria a Teoria M no chinelo.

Mas cá estou eu, lutando contra meu destino, me esforçando diariamente para manter algo que se aproxime de uma rotina. Tentando acordar mais ou menos no mesmo horário (isso eu já consigo fazer!), indo dormir cedo, fazendo intervalos regulares no trabalho e deixando de escrever às oito da noite. Mas ainda assim, a cada dia eu faço as mesmas coisas de maneira diferente, então nem mesmo minha tentativa de desenvolver uma rotina deixa de ser neuróbica.

O segredo da coisa toda é o equilíbrio. Aliás, já diria Salomão, na Bíblia, que a moderação em tudo é boa. O equilíbrio é o segredo de tudo. Não dá para viver totalmente sem rotina (acredite, eu já vivi assim, não é legal), pois a rotina gera energia. O legal é fazer a rotina transformar-se simplesmente em disciplina e ordem. Dentro disso, você pode variar a forma de fazer as coisas, não necessariamente as coisas que faz.

Exemplo, exemplo, o povo vive de exemplos. Use um cheiro novo em sua casa na hora da faxina, experimente mudar a posição dos objetos que você usa em sua mesa de trabalho, em seu criado-mudo, na pia do banheiro… Não faça a mesma comida no café da manhã, experimente algo diferente ou algo novo.Sim, coma algo que você nunca provou, saia de sua zona de conforto, sem pré-julgamentos a respeito do que vai provar, espere o melhor.  Se no intervalo do seu trabalho você costuma ficar na internet, levante-se e vá fazer alguma coisa diferente (dê sempre preferência a algo que você nunca fez), nem que seja dar uma volta na quadra (se você puder sair) ou escreva em um papel qualquer coisa que lhe venha à mente, tente fazer um pequeno texto descompromissado, ou ler alguma coisa no espelho.

Existem coisas simples que você pode fazer em qualquer lugar, a qualquer hora. Pegue objetos com a mão que você menos usa, procure algo em sua bolsa de olhos fechados, só pelo tato (isso eu sempre fiz e não sabia que era  exercício neuróbico). Carregue um livro na bolsa e leia um pouco sempre que tiver tempo…sentada no ônibus, em pé, na fila do banco…

Lembrei de um exercício que o Fabricio (o professor que não gostava quando eu usava a palavra “cérebro” em um texto…talvez por não achá-la visceral o suficiente) passou para a gente na faculdade uma vez (bons tempos aqueles) e que quase me deu um nó no cérebro: escrever uma carta de amor sem a letra “A”. Quando ele nos propôs esse exercício, me pareceu fácil, mas a execução foi dolorosa…quamurrí, colega.  Mas saiu isto:


“Confesso que tenho medo de perdê-lo. Mesmo que você continue dizendo que me quer como sempre quis, o ciúme e o desespero me colhem. O sentimento que nos une é muito forte, eu sei, e o que houve ontem é menor, é pequeno, mesquinho, você pode dizer. Eu sei. Desculpe, me desculpe.

Você é meu, devo crer nisso. Quero seu corpo, seus olhos, seus dedos, deixe-me sofrer o medo, ele pode nos ser útil. Serve pelo menos de consolo, repouso dos meus segredos. Tenho medo de perdê-lo e de me perder contigo.

Somos um, eu sei.

Sempre entregue,

Josephine.”


E – acredito – alguns neurônios novos, recém-nascidos, que vieram a este mundo sem conhecer a letra “A”.

PS: Confesso que a parte de coerência e de correspondência ao que eu realmente queria dizer foi colocada de lado na hora de escrever esse texto. Eu me foquei única e exclusivamente na torturante tarefa de fazer uma carta de amor sem a letra “A”. Eu morreria se tentasse sincronizar isso com algum sentimento, lógica (mantive uma mínima) e coerência, sem a pieguice que grudou no resultado final. Não dava para exigir tanto de mim naquela época.

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Sobre o texto “Como se tornar 171 (…)”
Vanessa Lampert | 25 de setembro de 2011 | x | mídia | 2 comentários

Vi o post Como se tornar um 171 inescrupuloso e desprovido de ética em 7 lições” (clique para ler) na lista dos mais recentemente lidos do blog e resolvi reler. Por curiosidade, voltei ao texto que originou esta resposta, escrito por Denyse Godoy. Fiquei espantada ao descobrir por lá um comentário da jornalista, que não entendeu (ou não quis entender, não acredito, sinceramente, que as pessoas sejam tão desprovidas de capacidade de interpretação de texto assim, ainda mais jornalistas!) o que eu escrevi.  Segue:

Denyse Godoy20/08/2010 12:51
Certo. Quem pechincha é sociopata, diz a leitora Vanessa. Será que a melhor estratégia, então, é, antes de comprar algum produto, perguntar primeiro para o vendedor como está a situação finqanceira dele? Porque, se ele responder que o aluguel está atrasado, o consumidor pode se oferecer inclusive para pagar o dobro do valor para ajudá-lo, né.Responder
O seu comentário está aguardando moderação.
Vanessa Lampert23/09/2011 14:16 A jornalista Denyse Godoy, pelo visto, realmente não é muito boa em interpretação de texto. Não disse que quem pechincha é sociopata, releia meu texto com atenção (não vou explicar de novo, está bem explicadinho). Qual é a melhor estratégia? – você me pergunta – Ter ética, ser honesto e utilizar o bom senso ao pechinchar. Não enganar, mentir e agir como um sociopata, como sugere este artigo deplorável. Leia novamente.

“Denyse Godoy 20/08/2010 12:51

Certo. Quem pechincha é sociopata, diz a leitora Vanessa. Será que a melhor estratégia, então, é, antes de comprar algum produto, perguntar primeiro para o vendedor como está a situação finqanceira dele? Porque, se ele responder que o aluguel está atrasado, o consumidor pode se oferecer inclusive para pagar o dobro do valor para ajudá-lo, né.”


Nem merecia resposta, certo? Pois é, mas eu sou uma criaturinha feliz e acabei respondendo…


Vanessa Lampert 23/09/2011 14:16

A jornalista Denyse Godoy, pelo visto, realmente não é muito boa em interpretação de texto. Não disse que quem pechincha é sociopata, releia meu texto com atenção (não vou explicar de novo, está bem explicadinho). Qual é a melhor estratégia? – você me pergunta – Ter ética, ser honesto e utilizar o bom senso ao pechinchar. Não enganar, mentir e agir como um sociopata, como sugere este artigo deplorável. Leia novamente.

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É brincadeira, não? Eu comentei sobre o lado do vendedor, porque fazia parte de minha realidade na época, e não tinha como não ter empatia. E a pessoa utilizou isso para desqualificar todo o meu comentário… Eu não sou contra pechinchar, tanto é que me interessei pelo texto (não leio sobre assuntos que não me interessam, vou perder meu tempo?), sou contra a desonestidade e o comportamento predatório.

Não trabalho mais com vendas, mas continuo tendo empatia. Eu sempre me coloco no lugar do outro e não gosto de fazer com os outros o que não gostaria que fizessem comigo. Sei respeitar os limites, principalmente os que delineiam a ética, a honestidade e a responsabilidade. E posso ser muito idiota por isso – sempre serei, faço questão – mas não abro mão desses princípios básicos por dinheiro nenhum. Não vale a pena.

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A decisão de não ter filhos
Vanessa Lampert | 22 de setembro de 2011 | x | Sem categoria | 9 comentários
Quanto mais pensava, menos motivos achava para ter
Quando me casei, estava decidida a ter filhos. Seriam três, um atrás do outro, para que crescessem juntos. Não queria esperar muito, planejava engravidar no primeiro ano. O Davison, um pouco mais consciente do que eu, tinha noção do tamanho da responsabilidade de ter um filho, e queria esperar quatro anos. Conversamos e negociamos um prazo que, para mim, parecia mais equilibrado: dois anos.
Não foi preciso nem um ano para que eu me desse conta de que seria loucura ter um filho no início do casamento. Ganhei uma gatinha filhote da minha amiga Claudia Letti e na mesma semana buscamos o gatinho que tínhamos adotado da Andrea Lambert. A Ricota mal tinha três meses e o Tiggy, quatro. Lembrar de alimentar, limpar a caixa de areia, educar, tentar fazê-los me compreender…logo em seguida, eles ficaram doentes. Foi um corre corre atrás de veterinário, vai fazer exame, corre para a farmácia, a Ricota tomou vacina e teve reação, vomitou, ficou amuadinha…liga para a veterinária…um sufoco atrás do outro. Pensei: “estou assim por causa de um gato…e se fosse um bebê?” Assim como o filhote de gato, um bebê depende 100% da mãe, e não é ruim você parar a sua vida para se dedicar totalmente a uma criança, mas você tem de estar disposta a isso. Eu não estava.
Convivi com meus sobrinhos enquanto eram bebês. Pouco ou muito, passei um período com todos eles. Troquei fraldinhas, brinquei…amo crianças e elas costumam gostar muito de mim, também. Por isso muita gente me enche a paciência, dizendo que eu seria uma excelente mãe. Seria, sim, mas também criaria um alienígena, pois não desejo este muito para ninguém e sei que a tendência do nosso mundo é só piorar. Olhe ao redor. As crianças estão piores, os adolescentes estão piores, os adultos estão piores…a sociedade tem se enfiado em um caos que não tem mais volta.
Eu sou bem feliz porque finalmente encontrei uma direção para a minha vida, mas até chegar aqui foi uma luta terrível e tenho consciência de que a maioria das pessoas não consegue alcançar a paz que eu tenho hoje. A esmagadora maioria vive na angústia, na ansiedade, na depressão, à base de medicamentos, sem futuro, sem perspectiva, pensando em morrer por simplesmente não querer mais a vida que tem vivido, mas sem saber que é possível ter uma nova vida sem precisar encarar fisicamente a morte. Para que vou trazer outra pessoa a um mundo assim?
Alguém pode me dizer que eu tenho uma visão pessimista. Não tenho, não, eu sou até bastante otimista. Mas encaremos a realidade! Eu não tenho interesse em criar alguém que se adapte a este mundo. Eu não suportaria conviver com alguém que conseguisse ser adaptado a este mundo podre. Sem contar que ninguém antes de engravidar se prepara para o nascimento de uma criança excepcional, por exemplo, ou mesmo que tenha uma doença ou fique tetraplégico precisando de cuidados intensivos. Novamente, não que isso a desqualifique enquanto pessoa, mas a mãe tem de estar preparada para isso quando decide que ela virá ao mundo. Me lembro agora do lindo texto Bem-vindo à Holanda, que você pode ler no Autor Desconhecido, clique aqui para ler.
Aí a pessoa apela: mas e a vontade de Deus? Alguém me recitou: “Está escrito: Crescei e multiplicai” – ao que eu completei – “…e enchei a Terra. A Terra já está cheia, não precisamos mais nos multiplicar”. E é ridículo, você tem de ficar defendendo algo que diz respeito apenas a você. Eu não faço campanha para que as outras mulheres não tenham filho (embora realmente não ache nada inteligente continuar colocando gente em um mundo superpopuloso, enquanto  milhares de crianças são abandonadas pelos pais), se você quiser fechar os olhos para a realidade e ter seus filhos só porque eles são bonitinhos ou pela atenção que você recebe durante a gravidez, ou por razões emocionais, para sentir o tal “amor incondicional” (que se fosse tão incondicional assim, impediria tantas mães de jogar seus filhos nas latas de lixo) que seus hormônios prometem lhe dar, vá em frente.
Se você prefere achar que isso é vontade de Deus (só porque Ele fez os seres humanos com órgãos sexuais para que se reproduzam, se quiserem), que é destino, beleza, o problema é que não há quem me pergunte: “mas você não vai ter filhos?” que não tente me convencer de que eu devo, sim, ter e que vou me arrepender amargamente pelo resto de minha vida se não o fizer (fora o clássico comentário: “mas quem vai cuidar de você quando envelhecer?” como se filho fosse garantia de cuidado e companhia na velhice…). Não precisei pensar muito para ver que criar um ser humano é uma responsabilidade enorme e que eu não posso transferir para a babá, a empregada ou – pior – a televisão.
Também não precisei pensar muito para enxergar que as pessoas têm sua própria personalidade e que por melhor que eu crie alguém, não posso garantir que aquela pessoa irá assimilar a educação que dei. Se não fosse assim, não teríamos tantos filhos dando desgosto às suas mães, enquanto seus irmãos acabam se tornando gente decente. Ou seus irmãos são iguaizinhos a você? Seus tios são idênticos à sua mãe? Mesma criação, mas personalidades diferentes e -muitas vezes – caráter diferente, também.
Não precisei pensar muito para ver que eu não estava certa de que seria uma boa ideia trazer alguém para este mundo. Costumo dizer que gosto muito de meus filhos para permitir que venham ao mundo. O período em que passei evangelizando em favelas me fez ter ainda mais certeza de que ter filhos hoje em dia não deveria sequer ser uma opção. Vi lugares que são verdadeiras plantações de almas para o inferno. Jovens sem futuro morrendo cedo demais, mas não antes de fazerem um, dois ou mais filhos que terão o mesmo futuro sombrio pela frente. Mães com uma coleção de filhos, mas sem dinheiro para colocar um prato na mesa.
Acho engraçado quem tenta apelar para o lado emocional: “Ah, você diz isso porque não tem filhos”. Lógico, nem pretendo ter.  Ou “é um amor que você não vai encontrar em lugar nenhum, é um amor que eu nunca imaginei que existisse” Acredito nisso, mas eu não sinto falta. Não tenho esse vazio dentro de mim. Não me sobrou nenhum vazio. Então para que vou tentar preencher um vazio que não existe? Não faz sentido!
Para mim, aliás, ter filhos deveria ser uma ação totalmente altruísta. Não posso ter filhos buscando sentir um amor que não encontraria em nenhum lugar, ou para suprir um vazio que existisse em mim ou no relacionamento, isso não é justo! Não é justo usar uma pessoa, uma criança, para suprir uma carência. Não é justo e não vai funcionar, porque essa criança vai se desenvolver, crescer, ela precisa ser criada para ter vida própria, vai conhecer alguém, casar, ou mesmo sair de casa antes disso.
Vai querer formar sua própria família e em muitos casos passará semanas, meses ou anos sem te ver, ligando de vez em quando, e é saudável que seja assim. É errado você chorar e fazer chantagem emocional para que ela almoce em sua casa todos os domingos, por exemplo, ou tentar se intrometer nas escolhas dela.Um pai e uma mãe têm de ser suficientemente desprendidos para ver seus filhos fazendo escolhas erradas, não seguindo seus conselhos e quebrando a cara. Eu não estou disposta a isso. Assumo, admito, e deixo as figurinhas eternamente como poeirinhas cósmicas. No que depender de mim, ninguém nasce aqui, não.
E depois de sete anos de casamento, as pessoas bem que poderiam parar de fazer esse tipo de cobrança, mas acho que isso só acontecerá quando eu tiver idade para ser avó. Agora, tem aqueles que dizem: “ah, mas você tem 31 anos, se não tiver filhos, vai se arrepender mais tarde”. Mais tarde, quando, cara-pálida? Eu decidi isso com 24 anos, já tenho 31, se não me arrependi até agora, por que raios me arrependeria mais tarde?
Eu tenho muito mais motivos do que os que citei. Esses dias me lembrei de mais um! A coitada da criaturinha passaria ainda por uma eritroblastose fetal e por uma incompatibilidade ABO. Eu sou O negativo e meu marido é AB positivo. Quem sabe isso não seja um sinal dos céus de que realmente não deveríamos jamais pensar em gerar um descendente?

A decisão de não ter filhos

Vanessa Lampert

Quando me casei, estava decidida a ter filhos. Seriam três, um atrás do outro, para que crescessem juntos. Não queria esperar muito, planejava engravidar no primeiro ano. O Davison, um pouco mais consciente do que eu, tinha noção do tamanho da responsabilidade de ter um filho, e queria esperar quatro anos. Conversamos e negociamos um prazo que, para mim, parecia mais equilibrado: dois anos.

Não foi preciso nem um ano para que eu me desse conta de que seria loucura ter um filho no início do casamento. Ganhei uma gatinha filhote da minha amiga Claudia Letti e na mesma semana buscamos o gatinho que tínhamos adotado da Andrea Lambert. A Ricota mal tinha três meses e o Tiggy, quatro. Lembrar de alimentar, limpar a caixa de areia, educar, tentar fazê-los me compreender…logo em seguida, eles ficaram doentes. Foi um corre corre atrás de veterinário, vai fazer exame, corre para a farmácia, a Ricota tomou vacina e teve reação, vomitou, ficou amuadinha…liga para a veterinária…um sufoco atrás do outro. Pensei: “estou assim por causa de um gato…e se fosse um bebê?” Assim como o filhote de gato, um bebê depende 100% da mãe, e não é ruim você parar a sua vida para se dedicar totalmente a uma criança, mas você tem de estar disposta a isso. Eu não estava.

Convivi com meus sobrinhos enquanto eram bebês. Pouco ou muito, passei um período com todos eles. Troquei fraldinhas, brinquei…amo crianças e elas costumam gostar muito de mim, também. Por isso muita gente me enche a paciência, dizendo que eu seria uma excelente mãe. Seria, sim, mas também criaria um alienígena, pois não desejo este muito para ninguém e sei que a tendência do nosso mundo é só piorar. Olhe ao redor. As crianças estão piores, os adolescentes estão piores, os adultos estão piores…a sociedade tem se enfiado em um caos que não tem mais volta.

Eu sou bem feliz porque finalmente encontrei uma direção para a minha vida, mas até chegar aqui foi uma luta terrível e tenho consciência de que a maioria das pessoas não consegue alcançar a paz que eu tenho hoje. A esmagadora maioria vive na angústia, na ansiedade, na depressão, à base de medicamentos, sem futuro, sem perspectiva, pensando em morrer por simplesmente não querer mais a vida que tem vivido, mas sem saber que é possível ter uma nova vida sem precisar encarar fisicamente a morte. Para que vou trazer outra pessoa a um mundo assim?

Alguém pode me dizer que eu tenho uma visão pessimista. Não tenho, não, eu sou até bastante otimista. Mas encaremos a realidade! Eu não tenho interesse em criar alguém que se adapte a este mundo. Eu não suportaria conviver com alguém que conseguisse ser adaptado a este mundo podre. Sem contar que ninguém antes de engravidar se prepara para o nascimento de uma criança excepcional, por exemplo, ou mesmo que tenha uma doença ou fique tetraplégico precisando de cuidados intensivos. Novamente, não que isso a desqualifique enquanto pessoa, mas a mãe tem de estar preparada para isso quando decide que ela virá ao mundo. Me lembro agora do lindo texto Bem-vindo à Holanda, que você pode ler no Autor Desconhecido, clique aqui para ler.

Aí a pessoa apela: mas e a vontade de Deus? Alguém me recitou: “Está escrito: Crescei e multiplicai” – ao que eu completei – “…e enchei a Terra. A Terra já está cheia, não precisamos mais nos multiplicar”. E é ridículo, você tem de ficar defendendo algo que diz respeito apenas a você. Eu não faço campanha para que as outras mulheres não tenham filho (embora realmente não ache nada inteligente continuar colocando gente em um mundo superpopuloso, enquanto  milhares de crianças são abandonadas pelos pais), se você quiser fechar os olhos para a realidade e ter seus filhos só porque eles são bonitinhos ou pela atenção que você recebe durante a gravidez, ou por razões emocionais, para sentir o tal “amor incondicional” (que se fosse tão incondicional assim, impediria tantas mães de jogar seus filhos nas latas de lixo) que seus hormônios prometem lhe dar, vá em frente.

Se você prefere achar que isso é vontade de Deus (só porque Ele fez os seres humanos com órgãos sexuais para que se reproduzam, se quiserem), que é destino, beleza, o problema é que não há quem me pergunte: “mas você não vai ter filhos?” que não tente me convencer de que eu devo, sim, ter e que vou me arrepender amargamente pelo resto de minha vida se não o fizer (fora o clássico comentário: “mas quem vai cuidar de você quando envelhecer?” como se filho fosse garantia de cuidado e companhia na velhice…). Não precisei pensar muito para ver que criar um ser humano é uma responsabilidade enorme e que eu não posso transferir para a babá, a empregada ou – pior – a televisão.


Também não precisei pensar muito para enxergar que as pessoas têm sua própria personalidade e que por melhor que eu crie alguém, não posso garantir que aquela pessoa irá assimilar a educação que dei. Se não fosse assim, não teríamos tantos filhos dando desgosto às suas mães, enquanto seus irmãos acabam se tornando gente decente. Ou seus irmãos são iguaizinhos a você? Seus tios são idênticos à sua mãe? Mesma criação, mas personalidades diferentes e -muitas vezes – caráter diferente, também.

Não precisei pensar muito para ver que eu não estava certa de que seria uma boa ideia trazer alguém para este mundo. Costumo dizer que gosto muito de meus filhos para permitir que venham ao mundo. O período em que passei evangelizando em favelas me fez ter ainda mais certeza de que ter filhos hoje em dia não deveria sequer ser uma opção. Vi lugares que são verdadeiras plantações de almas para o inferno. Jovens sem futuro morrendo cedo demais, mas não antes de fazerem um, dois ou mais filhos que terão o mesmo futuro sombrio pela frente. Mães com uma coleção de filhos, mas sem dinheiro para colocar um prato na mesa.

Acho engraçado quem tenta apelar para o lado emocional: “Ah, você diz isso porque não tem filhos”. Lógico, nem pretendo ter.  Ou “é um amor que você não vai encontrar em lugar nenhum, é um amor que eu nunca imaginei que existisse” Acredito nisso, mas eu não sinto falta. Não tenho esse vazio dentro de mim. Não me sobrou nenhum vazio. Então para que vou tentar preencher um vazio que não existe? Não faz sentido!

Para mim, aliás, ter filhos deveria ser uma ação totalmente altruísta. Não posso ter filhos buscando sentir um amor que não encontraria em nenhum lugar, ou para suprir um vazio que existisse em mim ou no relacionamento, isso não é justo! Não é justo usar uma pessoa, uma criança, para suprir uma carência.

Não é justo e não vai funcionar, porque essa criança vai se desenvolver, crescer, ela precisa ser criada para ter vida própria, vai conhecer alguém, casar, ou mesmo sair de casa antes disso. Vai querer formar sua própria família e em muitos casos passará semanas, meses ou anos sem te ver, ligando de vez em quando, e é saudável que seja assim. É errado você chorar e fazer chantagem emocional para que ela almoce em sua casa todos os domingos, por exemplo, ou tentar se intrometer nas escolhas dela.

Um pai e uma mãe têm de ser suficientemente desprendidos para ver seus filhos fazendo escolhas erradas, não seguindo seus conselhos e quebrando a cara. Eu não estou disposta a isso. Assumo, admito, e deixo as figurinhas eternamente como poeirinhas cósmicas. No que depender de mim, ninguém nasce aqui, não.

E depois de sete anos de casamento, as pessoas bem que poderiam parar de fazer esse tipo de cobrança, mas acho que isso só acontecerá quando eu tiver idade para ser avó. Agora, tem aqueles que dizem: “ah, mas você tem 31 anos, se não tiver filhos, vai se arrepender mais tarde”. Mais tarde, quando, cara-pálida? Eu decidi isso com 24 anos, já tenho 31, se não me arrependi até agora, por que raios me arrependeria mais tarde?

Eu tenho muito mais motivos do que os que citei. Esses dias me lembrei de mais um! A coitada da criaturinha passaria ainda por uma eritroblastose fetal e por uma incompatibilidade ABO. Eu sou O negativo e meu marido é AB positivo. Quem sabe isso não seja um sinal dos céus de que realmente não deveríamos jamais pensar em gerar um descendente? :-)

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Filhos, eu???
Vanessa Lampert | 22 de setembro de 2011 | x | Sem categoria | 2 comentários

Esse é o título da matéria que saiu na Revista Lola deste mês (Setembro), que tem a Andréa Beltrão na capa. Sou uma das entrevistadas da matéria. De início, sob o efeito entorpecente do trabalho gráfico que Nik Neves fez em cima da foto da Ricota. Na verdade o impacto foi extremamente positivo porque liberei que usassem qualquer foto do meu facebook e escolheram justamente uma foto em que ela aparece em primeiro plano. E como sou gateira de carteirinha e mãe coruja de meus gatos, imagina que amei a coisa toda sem nem mesmo ler direito.
Tentei ler o texto e cheguei a começar a escrever algo sobre ele neste blog, o início rascunho foi o seguinte: “como a conversa com a jornalista foi bastante longa, ela teve que resumir e, nesse processo, muitas coisas ficaram concisas demais e algumas informações parecem sobrar no depoimento. ”  Depois da poeira baixar, resolvi ler com mais cuidado e vi que o problema não foi a concisão, mas a falta de cuidado com o contexto ao resumir a conversa.  O mais engraçado é que ela me perguntou o que eu tinha achado, eu disse (ainda sob o efeito da ilustração). Ela apenas comentou que sabia que eu seria uma entrevistada crítica e não me respondeu mais. Depois que eu li com cuidado e vi diversos pontos dos quais não gostei, achei melhor nem escrever novamente para a moça, afinal de contas, ela já estava com a opinião que teria se lesse o que eu tenho a dizer, antes mesmo de ter lido…risos…
A impressão que eu tive ao ler novamente foi que ela não entendeu muito bem o que eu queria dizer. Se fosse escrito em terceira pessoa, eu não reclamaria. O problema é que em um depoimento escrito em primeira pessoa, o leitor imagina que aquilo tenha sido escrito (ou dito), ipsis literis, pelo entrevistado. Se eu tivesse acesso ao texto final, faria alguns ajustes (deixaria do mesmo tamanho, mas mudaria algumas coisas) e, aí sim, seria meu depoimento. Como não tive, do jeito que ficou eu só posso dizer que é a interpretação que alguém fez daquilo que eu disse, mas eu não assino embaixo. Só não vou pontuar tudo o que eu não gostei porque realmente acho desnecessário, mas algumas coisas me incomodaram um bocado.
Algumas sentenças que parecem iguais para outras pessoas, para mim soam completamente diferentes. Por exemplo, no meio do assunto, disse que ajudei a cuidar dos meus sobrinhos quando bebês (quando meu sobrinho mais velho nasceu – prematuro – eu ia todos os dias para a casa de minha irmã ajudá-la a cuidar do bebê enquanto ela descansava, ou então ela não conseguiria dormir nunca. De minha sobrinha eu cuidei mais, pois nasceu na casa da minha mãe enquanto eu morava lá. Com os outros, eu só tive contato durante viagens que fiz à casa de meus irmãos, onde brinquei de tia), brinquei com eles quando cresceram,  mas quando você é tia, por exemplo, e cansa da brincadeira, entrega a criança para a mãe. Se for meu filho, vou entregar para quem? Foi parar no texto como: “Entre 2000 e 2002 ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs e dos meus dois irmãos. Era o máximo ficar com eles, trocar fraldas, brincar, mas chegava um momento em que eu me cansava e ficava aflita para colocar a criança nos braços dos pais”.
Pô, o que parece isso? Parece que a criatura fica de saco cheio das crianças e quer jogar no colo de alguém. Não é esse o sentido do que eu disse, o que eu falei foi bem mais sutil (ou será que me expresso tão mal? Entrevistas, só por escrito, ok? Eu não sei falar). A palavra “aflita” não é algo que faça parte do meu vocabulário, justamente porque eu sei o que ela significa e aflição não é algo que eu costume sentir…risos…o que eu quis dizer foi simplesmente o que eu disse: quando você tem um filho, ele é seu, e você não tem a liberdade de passar a responsabilidade para outra pessoa quando se cansa e quer voltar para a sua vida, simplesmente porque aquela responsabilidade é sua. E não pode ter um filho quem não quiser assumir esse tipo de responsabilidade. Estou simplesmente sendo honesta. Mas não fico aflita para me livrar de meus sobrinhos, o cerne da questão aqui é que eles não são responsabilidade minha. Ponto.
Outra coisa que me incomodou foi que, ao argumentar que não importa a criação que você dê, não há garantias de que a pessoa irá assimilar a educação dada, que até certo ponto os pais têm controle sobre a criação dos filhos, mas a partir de um determinado momento, não podem mais interferir, cada um tem seu caráter, cada um faz suas escolhas (explico melhor isso no texto mais abaixo), eu mencionei que havia visto exemplos disso em minha família, mas achei que não valia a pena tocar nesses assuntos e não dei detalhes, nem disse nada além.
Poxa, se eu não dei detalhes, é porque o assunto não deve ser mencionado, afinal de contas, ficaria uma informação incompleta solta no texto. Foi o que aconteceu. A pessoa agrupou tudo o que eu disse sobre a minha família em um bloco só e ficou assim: “Vi que, por mais que se dediquem os filhos, chega uma hora em que perdem o controle e se veem diante de alguém que não tem nada a ver com eles. Não existe garantias, e eu vi isso na minha família. Entre 2000 e 2002, ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs e dos meus dois irmãos.  Era o máximo ficar com eles, trocar fraldas, brincar, mas chegava um momento em que eu me cansava e ficava aflita para colocar a criança nos braços dos pais”.
Você há de convir que a frase “Não existe garantias, e eu vi isso na minha família” dá a impressão de que a sentença seguinte irá explicar o que foi dito aqui. E como a sentença inicia com “Entre 2000 e 2002, ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs (…)” você  entende que o problema foram os sobrinhos, que eu vi, com meus sobrinhos, que não existiam garantias. Coitadinhos!…hahahaha…esses bichinhos são as melhores pessoas da família! Eu só achei que não havia necessidade de me aprofundar na análise, e graças a Deus que não o fiz. Vai que a criatura resolvesse colocar na matéria?
Por fim, o começo: também me incomodou o título do depoimento, mas isso eu comentei no rascunho que já estava preparado e que segue abaixo, sobre minha decisão de não ter filhos.
“Mas o texto talvez nem esteja tão bom quanto eu penso, não sei, minha impressão ficou totalmente obliterada pela ilustração de Nik Neves…eu não sabia qual foto seria usada, mandei várias opções e a Luciana ainda teve acesso ao meu Facebook para escolher a foto que achasse melhor. Tive uma grata surpresa ao abrir a revista e me deparar com dois olhos verdes gigantes da Ricota, ofuscando tudo ao seu redor. Sou mãe coruja de gatinho!! Lindaaaa!!! A moça soube me ganhar: escolheu uma foto minha com a gatinha e já era, filha, poderia até escrever que eu torturo criancinha e as mastigo picadas no café da manhã, que eu nem notaria.
Agora vamos ao assunto. Antes, apenas um comentário a respeito de algo que eu realmente detestei na matéria: o título do meu depoimento. “Pensei, pensei, pensei, até achar motivos para não ter” dá a impressão de que a criatura queria muito ter e teve de se esforçar horrores para encontrar algum motivo para abrir mão de sua vontade.  Felizmente quando você lê o texto, entende o que significa o título, mas não sei se para todos desfaz a impressão ruim inicial. Na verdade, eu não precisei pensar muito. Um título mais próximo da realidade seria: “Pensei bem e decidi não ter” ou “Pensei, por isso decidi não ter” ou mesmo “Quanto mais pensava, menos motivos achava para ter”.
Quando me casei, estava decidida a ter filhos. Seriam três, um atrás do outro, para que crescessem juntos. Não queria esperar muito, planejava engravidar no primeiro ano. O Davison, um pouco mais consciente do que eu, tinha noção do tamanho da responsabilidade de ter um filho, e queria esperar quatro anos. Conversamos e negociamos um prazo que, para mim, parecia mais equilibrado: dois anos.
Não foi preciso nem um ano para que eu me desse conta de que seria loucura ter um filho no início do casamento. Ganhei uma gatinha filhote da minha amiga Claudia Letti e na mesma semana buscamos o gatinho que tínhamos adotado da Andrea Lambert. A Ricota mal tinha três meses e o Tiggy, quatro. Lembrar de alimentar, limpar a caixa de areia, educar, tentar fazê-los me compreender…logo em seguida, eles ficaram doentes. Foi um corre corre atrás de veterinário, vai fazer exame, corre para a farmácia, a Ricota tomou vacina e teve reação, vomitou, ficou amuadinha…liga para a veterinária…um sufoco atrás do outro. Pensei: “estou assim por causa de um gato…e se fosse um bebê?” Assim como o filhote de gato, um bebê depende 100% da mãe, e não é ruim você parar a sua vida para se dedicar totalmente a uma criança, mas você tem de estar disposta a isso. Eu não estava.
Convivi com meus sobrinhos enquanto eram bebês. Pouco ou muito, passei um período com todos eles. Troquei fraldinhas, brinquei…amo crianças e elas costumam gostar muito de mim, também. Por isso muita gente me enche a paciência, dizendo que eu seria uma excelente mãe. Seria, sim, mas também criaria um alienígena, pois não desejo este muito para ninguém e sei que a tendência do nosso mundo é só piorar. Olhe ao redor. As crianças estão piores, os adolescentes estão piores, os adultos estão piores…a sociedade tem se enfiado em um caos que não tem mais volta.
Eu sou bem feliz porque finalmente encontrei uma direção para a minha vida, mas até chegar aqui foi uma luta terrível e tenho consciência de que a maioria das pessoas não consegue alcançar a paz que eu tenho hoje. A esmagadora maioria vive na angústia, na ansiedade, na depressão, à base de medicamentos, sem futuro, sem perspectiva, pensando em morrer por simplesmente não querer mais a vida que tem vivido, mas sem saber que é possível ter uma nova vida sem precisar encarar fisicamente a morte. Para que vou trazer outra pessoa a um mundo assim?
Alguém pode me dizer que eu tenho uma visão pessimista. Não tenho, não, eu sou até bastante otimista. Mas encaremos a realidade! Eu não tenho interesse em criar alguém que se adapte a este mundo. Eu não suportaria conviver com alguém que conseguisse ser adaptado a este mundo podre. Sem contar que ninguém antes de engravidar se prepara para o nascimento de uma criança excepcional, por exemplo, ou mesmo que tenha uma doença ou fique tetraplégico precisando de cuidados intensivos. Novamente, não que isso a desqualifique enquanto pessoa, mas a mãe tem de estar preparada para isso quando decide que ela virá ao mundo. Me lembro agora do lindo texto Bem-vindo à Holanda, que você pode ler no Autor Desconhecido, clique aqui para ler.
Aí a pessoa apela: mas e a vontade de Deus? Alguém me recitou: “Está escrito: Crescei e multiplicai” – ao que eu completei – “…e enchei a Terra. A Terra já está cheia, não precisamos mais nos multiplicar”. E é ridículo, você tem de ficar defendendo algo que diz respeito apenas a você. Eu não faço campanha para que as outras mulheres não tenham filho (embora realmente não ache nada inteligente continuar colocando gente em um mundo superpopuloso, enquanto  milhares de crianças são abandonadas pelos pais), se você quiser fechar os olhos para a realidade e ter seus filhos só porque eles são bonitinhos ou pela atenção que você recebe durante a gravidez, ou por razões emocionais, para sentir o tal “amor incondicional” (que se fosse tão incondicional assim, impediria tantas mães de jogar seus filhos nas latas de lixo) que seus hormônios prometem lhe dar, vá em frente.
Se você prefere achar que isso é vontade de Deus (só porque Ele fez os seres humanos com órgãos sexuais para que se reproduzam, se quiserem), que é destino, beleza, o problema é que não há quem me pergunte: “mas você não vai ter filhos?” que não tente me convencer de que eu devo, sim, ter e que vou me arrepender amargamente pelo resto de minha vida se não o fizer (fora o clássico comentário: “mas quem vai cuidar de você quando envelhecer?” como se filho fosse garantia de cuidado e companhia na velhice…). Não precisei pensar muito para ver que criar um ser humano é uma responsabilidade enorme e que eu não posso transferir para a babá, a empregada ou – pior – a televisão.
Também não precisei pensar muito para enxergar que as pessoas têm sua própria personalidade e que por melhor que eu crie alguém, não posso garantir que aquela pessoa irá assimilar a educação que dei. Se não fosse assim, não teríamos tantos filhos dando desgosto às suas mães, enquanto seus irmãos acabam se tornando gente decente. Ou seus irmãos são iguaizinhos a você? Seus tios são idênticos à sua mãe? Mesma criação, mas personalidades diferentes e -muitas vezes – caráter diferente, também.
Não precisei pensar muito para ver que eu não estava certa de que seria uma boa ideia trazer alguém para este mundo. Costumo dizer que gosto muito de meus filhos para permitir que venham ao mundo. O período em que passei evangelizando em favelas me fez ter ainda mais certeza de que ter filhos hoje em dia não deveria sequer ser uma opção. Vi lugares que são verdadeiras plantações de almas para o inferno. Jovens sem futuro morrendo cedo demais, mas não antes de fazerem um, dois ou mais filhos que terão o mesmo futuro sombrio pela frente. Mães com uma coleção de filhos, mas sem dinheiro para colocar um prato na mesa.
Acho engraçado quem tenta apelar para o lado emocional: “Ah, você diz isso porque não tem filhos”. Lógico, nem pretendo ter.  Ou “é um amor que você não vai encontrar em lugar nenhum, é um amor que eu nunca imaginei que existisse” Acredito nisso, mas eu não sinto falta. Não tenho esse vazio dentro de mim. Não me sobrou nenhum vazio. Então para que vou tentar preencher um vazio que não existe? Não faz sentido!
Para mim, aliás, ter filhos deveria ser uma ação totalmente altruísta. Não posso ter filhos buscando sentir um amor que não encontraria em nenhum lugar, ou para suprir um vazio que existisse em mim ou no relacionamento, isso não é justo! Não é justo usar uma pessoa, uma criança, para suprir uma carência. Não é justo e não vai funcionar, porque essa criança vai se desenvolver, crescer, ela precisa ser criada para ter vida própria, vai conhecer alguém, casar, ou mesmo sair de casa antes disso.
Vai querer formar sua própria família e em muitos casos passará semanas, meses ou anos sem te ver, ligando de vez em quando, e é saudável que seja assim. É errado você chorar e fazer chantagem emocional para que ela almoce em sua casa todos os domingos, por exemplo, ou tentar se intrometer nas escolhas dela.Um pai e uma mãe têm de ser suficientemente desprendidos para ver seus filhos fazendo escolhas erradas, não seguindo seus conselhos e quebrando a cara. Eu não estou disposta a isso. Assumo, admito, e deixo as figurinhas eternamente como poeirinhas cósmicas. No que depender de mim, ninguém nasce aqui, não.
E depois de sete anos de casamento, as pessoas bem que poderiam parar de fazer esse tipo de cobrança, mas acho que isso só acontecerá quando eu tiver idade para ser avó. Agora, tem aqueles que dizem: “ah, mas você tem 31 anos, se não tiver filhos, vai se arrepender mais tarde”. Mais tarde, quando, cara-pálida? Eu decidi isso com 24 anos, já tenho 31, se não me arrependi até agora, por que raios me arrependeria mais tarde?
Eu tenho muito mais motivos do que os que citei. Esses dias me lembrei de mais um! A coitada da criaturinha passaria ainda por uma eritroblastose fetal e por uma incompatibilidade ABO. Eu sou O negativo e meu marido é AB positivo. Quem sabe isso não seja um sinal dos céus de que realmente não deveríamos jamais pensar em gerar um descendente?…risos…
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ate08.set 034

Esse é o título da matéria que saiu na Revista Lola deste mês (Setembro), que tem a Andréa Beltrão na capa. Sou uma das entrevistadas da matéria. De início, sob o efeito entorpecente do trabalho gráfico que Nik Neves fez em cima da foto da Ricota, eu achei que tinha gostado do texto. Cheguei a escrever, no rascunho de um post: “Mas o texto talvez nem esteja tão bom quanto eu penso, não sei, minha impressão ficou totalmente obliterada pela ilustração de Nik Neves…eu não sabia qual foto seria usada, mandei várias opções e a jornalista ainda teve acesso ao meu Facebook para escolher a foto que achasse melhor. Tive uma grata surpresa ao abrir a revista e me deparar com dois olhos verdes gigantes da Ricota, ofuscando tudo ao seu redor. Sou mãe coruja de gatinho!! Lindaaaa!!! A moça soube me ganhar: escolheu uma foto minha com a gatinha e já era, filha, poderia até escrever que eu torturo criancinha e as mastigo picadas no café da manhã, que eu nem notaria.”

Tentei ler o texto e cheguei a começar a escrever algo sobre ele neste blog, o início rascunho foi o seguinte: “como a conversa com a jornalista foi bastante longa, ela teve que resumir e, nesse processo, muitas coisas ficaram concisas demais e algumas informações parecem sobrar no depoimento. ”  Depois da poeira baixar, resolvi ler com mais atenção e vi que o problema não foi a concisão, mas a falta de cuidado com o contexto ao resumir a conversa.  A impressão que eu tive ao ler novamente foi que ela não entendeu muito bem o que eu queria dizer.

Se fosse escrito em terceira pessoa, eu não reclamaria. O problema é que em um depoimento escrito em primeira pessoa, o leitor imagina que aquilo tenha sido dito, ipsis literis, pelo entrevistado. Se eu tivesse acesso ao texto final, faria alguns ajustes (deixaria do mesmo tamanho, mas mudaria algumas coisas) e, aí sim, seria meu depoimento. Como não tive, do jeito que ficou eu só posso dizer que é a interpretação que alguém fez daquilo que eu disse, mas eu não assino embaixo. Só não vou pontuar tudo o que eu não gostei porque realmente acho desnecessário, mas algumas coisas me incomodaram um bocado.

Algumas sentenças que parecem iguais para outras pessoas, para mim soam completamente diferentes. Por exemplo, no meio do assunto, disse que ajudei a cuidar dos meus sobrinhos quando bebês (quando meu sobrinho mais velho nasceu – prematuro – eu ia todos os dias para a casa de minha irmã ajudá-la a cuidar do bebê enquanto ela descansava, ou então ela não conseguiria dormir nunca. De minha sobrinha eu cuidei mais, pois nasceu na casa da minha mãe enquanto eu morava lá. Com os outros, eu só tive contato durante viagens que fiz à casa de meus irmãos, onde brinquei de tia), brinquei com eles quando cresceram,  mas quando você é tia, por exemplo, e cansa da brincadeira, entrega a criança para a mãe. Se for meu filho, vou entregar para quem? Foi parar no texto como: “Entre 2000 e 2002 ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs e dos meus dois irmãos. Era o máximo ficar com eles, trocar fraldas, brincar, mas chegava um momento em que eu me cansava e ficava aflita para colocar a criança nos braços dos pais”.

O que parece isso? Parece que a criatura fica de saco cheio das crianças e, irritada, quer jogar no colo de alguém. Não é esse o sentido do que eu disse, o que eu falei foi bem mais sutil (ou será que me expresso tão mal? Entrevistas, só por escrito, ok? Eu não sei falar). A palavra “aflita” não é algo que faça parte do meu vocabulário, justamente porque eu sei o que ela significa e aflição não é algo que eu costume sentir…risos…o que eu quis dizer foi simplesmente o que eu disse: quando você tem um filho, ele é seu, e você não tem a liberdade de passar a responsabilidade para outra pessoa quando se cansa e quer voltar para a sua vida, simplesmente porque aquela responsabilidade é sua. E não pode ter um filho quem não quiser assumir esse tipo de responsabilidade. Estou simplesmente sendo honesta. Mas não fico aflita para me livrar de meus sobrinhos, o cerne da questão aqui é que eles não são responsabilidade minha. Ponto.

Outra coisa que me incomodou foi que, ao argumentar que não importa a criação que você dê, não há garantias de que a pessoa irá assimilar a educação dada, que até certo ponto os pais têm controle sobre a criação dos filhos, mas a partir de um determinado momento, não podem mais interferir, cada um tem seu caráter, cada um faz suas escolhas (explico melhor isso no próximo post), eu mencionei que havia visto exemplos disso em minha família, mas achei que não valia a pena tocar nesses assuntos e não dei detalhes, nem disse nada além.

Poxa, se eu não dei detalhes, é porque o assunto não deve ser mencionado, afinal de contas, ficaria uma informação incompleta solta no texto. Foi o que aconteceu. A pessoa agrupou tudo o que eu disse sobre a minha família em um bloco só e ficou assim: “Vi que, por mais que se dediquem os filhos, chega uma hora em que perdem o controle e se veem diante de alguém que não tem nada a ver com eles. Não existe garantias, e eu vi isso na minha família. Entre 2000 e 2002, ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs e dos meus dois irmãos.  Era o máximo ficar com eles, trocar fraldas, brincar, mas chegava um momento em que eu me cansava e ficava aflita para colocar a criança nos braços dos pais”.

Você há de convir que a frase “Não existe garantias, e eu vi isso na minha família” dá a impressão de que a sentença seguinte irá explicar o que foi dito aqui. E como a sentença inicia com “Entre 2000 e 2002, ajudei a cuidar dos filhos das minhas duas irmãs (…)” você  entende que o problema foram os sobrinhos, que eu vi, com meus sobrinhos, que não existiam garantias. Coitadinhos!…hahahaha…esses bichinhos são as melhores pessoas da família! Eu só achei que não havia necessidade de me aprofundar na análise, e graças a Deus que não o fiz. Se não fosse esses pontos que dizem respeito a terceiros (mais especificamente, aos meus sobrinhos e seus pais), eu nem escreveria este texto, mas precisei esclarecer esses detalhes porque conheço o meu eleitorado.

Por fim, o começo: também me incomodou o título do depoimento, no rascunho que já estava preparado e que se transformou no próximo post, sobre minha decisão de não ter filhos, também explico:

“Antes, apenas um comentário a respeito de algo que eu realmente detestei na matéria: o título do meu depoimento. “Pensei, pensei, pensei, até achar motivos para não ter” dá a impressão de que a criatura queria muito ter e teve de se esforçar horrores para encontrar algum motivo para abrir mão de sua vontade.  Felizmente quando você lê o texto, entende o que significa o título, mas não sei se para todos desfaz a impressão ruim inicial. Na verdade, eu não precisei pensar muito. Um título mais próximo da realidade seria: “Pensei bem e decidi não ter” ou “Pensei, por isso decidi não ter” ou mesmo “Quanto mais pensava, menos motivos achava para ter”.

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UPDATE: Como tem gente entrando pelo Google e lendo apenas este post, peço encarecidamente que leiam o próximo post (clique aqui para ler), no qual eu explico com detalhes a minha decisão.

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Coraline e o sadismo adulto
Vanessa Lampert | 17 de agosto de 2011 | x | Sem categoria | Nenhum comentário

Escrevi esse texto em fevereiro de 2009, mas – infelizmente – ele continua atual:

Coraline e o sadismo adulto

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Recebi hoje o seguinte e-mail de minha amiga Flávia:

“Não assistam ao filme CORALINE com suas crianças!Oi, Pessoal.

Estou escrevendo porque estou indignada com o filme infantil CORALINE, que estreou esta semana nos cinemas de todo o país. Minha filha tem 6 anos e viu a chamada para o filme nos canais Disney Channel, Discovery Kids, na Globo horário infantil, etc. Eu também vi a chamada, que é super bonitinha, com bonequinhos alegres sem maiores problemas.

Fomos ao cinema, três mães com seus respectivos filhos, e todo o público praticamente era de crianças desde os 2 aninhos. Pois é, tomamos um susto, pois o filme é totalmente de suspense e terror, lembra um pouco o clima do poltergeist – o fenomeno ( para quem se lembra ). Este autor é o mesmo dos filmes CASAMONSTRO, NOIVA CADÁVER, EDWARD – MÃOS DE TESOURA, só que BEM PIOR.

O clima do filme é de um pesadelo, com os piores medos das crianças aparecendo na tela. Tem um ar maquiavélico, algo demoníaco e uma musiquinha de suspense o tempo integral do filme. Na metade da sessão minha filha estava com as mãozinhas suando frio, e quase chorando, ela queria sair do filme e estava com uma expressão que eu nunca tinha visto no rostinho dela antes, de medo mesmo, do fundo da alma. Durante todo o tempo do filme não se escutava um pio de todas as crianças, que mais se encolhiam nas cadeiras do que assistiam ao filme.

Estou muito chateada, pois a censura do filme é LIVRE, diferente de filmes lindos que já vi como Bolt – o super-cão, que tem censura 10 anos. E mais indignada ainda por este filme estar sendo anunciado em canais infantis como se fosse “bonitinho”. Não tenho nada contra filmes de suspense e de terror, até gosto, mas acho que as pessoas devem entrar em uma sessão de cinema sabendo o que vão assistir, e principalmente quando essas sessões são destinadas à crianças que com certeza vão ter muitos PESADELOS à noite!
Bem, quem gosta do gênero, pode ir assistir, pois é assustador, mas por favor, não levem seus filhos ou sobrinhos para assistí-lo, ou então, preparem-os MUITO antes do filme, e digam que o filme é de TERROR.

Passem a diante, por favor, pois não quero que outras crianças tenham pesadelos como a minha filha está tendo! Pois esta noite ela nem dormiu direito!
Um abraço grande,

Flávia Pina.”

Para quem não sabe, a animação “Coraline e o Mundo Secreto”, de Henry Selick (de “O estranho mundo de Jack”, revelando-se discípulo piorado de Tim Burton), é baseada no livro “Coraline”, de Neil Gaiman, literatura adulta com pretensões infantis (classificado como infanto-juvenil), que tenta ser uma espécie de “Alice no País das Maravilhas” revisitado, com uma pitada a mais de crueldade.

[Lendo algumas resenhas, encontrei esta, da Revista Época: Coraline: Psicanálise em desenho animado (clique aqui para ler...mas só depois de terminar meu post!..hehehe...) ]

No filme, a menina encontra uma passagem para um universo paralelo em que seus pais são atenciosos, querem brincar com ela e fazer suas vontades (no mundo “real” os pais de Coraline vivem atarefados e ocupados). Eles têm botões costurados no lugar dos olhos e terminam por sequestrar a verdadeira mãe da menina, que acaba resgatada pela filha.

Não discuto aqui a qualidade técnica do filme, nem a qualidade literária da obra de Neil Gaiman, nem mesmo a validade artística de “Coraline”. Como um material para adultos, seria até bem interessante, para quem gosta do gênero (o que, definitivamente, não é o meu caso). O que me motiva a escrever este texto é não entender por que raios o trailer não deixa claro do que se trata, atraindo crianças inocentes para a armadilha do espelho.

Deixemos de intelectualoidices, nenhuma mãe é obrigada a conhecer os lançamentos literários considerados relevantes pela crítica (e Coraline é relativamente recente, não é um clássico literário, e espero que nunca se torne). Passar o trailer de um filme desses como se todo mundo soubesse do que se trata, em canais infantis, e – pior ainda – classificando o troço como “livre”, vai além da minha compreensão.

O filme é descrito como “uma alegoria da passagem da infância para o mundo adulto”. Então eu me pergunto: Isso é mesmo necessário? Temos literatura infantil realmente inteligente, que sabe falar sobre o mundo adulto, suas estranhezas e o momento de adaptação em linguagem realmente infantil, sem querer traumatizar ninguém, mas na última década muitos livros infantis passaram a ter, obrigatoriamente, uma temática mais soturna, mas “densa”, na intenção de prepará-las para a “vida adulta”, para o sofrimento e a morte.

Qual é a real necessidade disso? As últimas frases do texto que linquei aqui me abrem o caminho para encontrar a resposta:” As crianças podem ficar assustadas de verdade. Afinal, não é nada fácil crescer.”

O final desse texto me causou estranheza, confesso. Parece carregar uma certa satisfação pela idéia de que crianças ficariam assustadas com Coraline. Adultos que amargaram uma certa frustração ao sair da infância e se acomodaram à vida adulta com uma carga de melancolia e um bocado de peso nas costas, parecem nutrir uma certa raiva (oculta, obviamente) por aqueles que estão vivendo no mundo em que eles queriam viver: de fantasia, de alegria infantil.

Eles gostariam de ter sido avisados que o mundo adulto é uma coisa chata por natureza, e que toda aquela magia e fantasia é uma armadilha que só sufoca e faz sofrer. Teoricamente acham que estão ajudando ao colocar certa dose de ceticismo e sofrimento nas crianças (ainda que travestida de “realismo”), mas, na prática, deliciam-se em tirar delas a alegria, fantasia e vigor que eles mesmos já perderam, substituindo pela angústia de quem deve esperar o pior – ou conformar-se com uma vida insípida.

Crescer não é fácil quando o mundo é visto como um cenário horroroso, sem esperança, vazio, acinzentado e enfadonho. Quanto mais gente cair na ditadura da tristeza, na conversa fiada que atrela desânimo, depressão e pessimismo à inteligência, pior o mundo ficará. Conseguimos aquilo que buscamos, aquilo que esperamos.

Crescer é algo que acontece de forma natural, e para cada pessoa, acontece de um jeito. Não posso pegar a minha experiência ou mesmo as experiências da maioria e enfiar pela goela de todos. Algumas crianças crescem muito bem, obrigada. Felizes, animadas, criativas, seguras. Mostrar um mundo soturno, carregado, onde a fantasia é inimiga, é enganá-las, tentando puxá-las para o esgoto em que vive a maioria dos adultos, como se esse esgoto mental fosse o natural, a realidade.

Colocar, do outro lado do espelho, um casal cruel que usa a atenção como arma sufocante é, na verdade, uma forma de retirar o sentimento de culpa dos pais que não têm tempo para seus filhos, explicando: “olha, papai e mamãe não te dão atenção, mas te amam. Se dessem atenção a você, seriam cruéis e te sufocariam em uma armadilha assustadora”.

Qual é a intenção em mostrar a fantasia como um pesadelo??? Qual é a intenção em fazer com que a criança “entre em contato com seus medos”? Que tipo de mundo estamos criando? Em que tipo de adultos nos tornamos? Seres cruéis que buscam, incansavelmente, formas de abreviar a infância, destruir a inocência e transformar a espécie humana em um exército cínico cavando buracos, em círculos, se divertindo em assustar criancinhas – isso é bizarro.

O que me deixa revoltada é ver que esse tipo de gente domina o mundo e quer fazer com que todos acreditem que eles são o mundo. Que o mundo de todos é como é o mundo particular deles, em seus pesadelos distorcidos (um “pesadelo distorcido” é um troço muito escabroso).

E se eu disser que meu mundo é colorido, que consegui resgatar a criatividade e fantasia da minha infância, que eu busco exercer um pensamento de possibilidade (e não de impossibilidade) em todas as situações e que – finalmente – acenderam a luz, que o mundo é bonito e que eu dou muito mais atenção às coisas boas e belas do que às ruins, serei motivo de riso, rotulada de ingênua, ignorante, burra, alienada…ignorando-se toda a minha história de vida (sofrimentos inclusos..ih, nem te conto!) nesses trinta anos (praticamente) e os 160 de QI. Burra, porque escolheu parar de acreditar que o mundo é cinza e descobriu-se enganada por todo esse tempo. O mundo não é cinza, o mundo é da cor que eu quiser, porque ele tem todas as cores disponíveis, em um espectro infinito, um restaurante self-service multicolorido. Sirva-se quem quiser. Quem não quiser, será servido do que sobrar, ou do que for mais conveniente.

Se as pessoas insistem em continuar a trazer crianças a este mundo, que tenham a decência de deixá-las ter infância, e que tenham a decência de cumprir seus papéis de pais ou de deixar as crianças dos outros em paz, tendo condições de crescer em um mundo alegre, colorido, de desenhos animados inteligentes, interessantes e felizes, que ensinem e construam, ao invés de destruir. Nossa obrigação é simplesmente proporcionar a elas uma infância saudável e feliz, com amor, atenção e princípios para construção de um bom caráter.

Que essas pessoas concedam às crianças o direito de crescer na hora certa, naturalmente, do jeito delas. Se providas de uma boa base, essa transição não será traumática, nem assustadora, nem tampouco comparável a um filme de terror, mas simplesmente a transformação natural de uma criança equilibrada e feliz em um adulto equilibrado e feliz. Equilíbrio e felicidade não transformam ninguém em um ser menos humano, nem deveriam ofender o desequilíbrio e a infelicidade alheia.

Essas criaturas sádicas andam de cabeça para baixo. Quem sabe estejam, na verdade, do pior lado do espelho.

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Tragédia anunciada
Vanessa Lampert | 23 de julho de 2011 | x | mídia | Nenhum comentário

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Amy Winehouse morreu hoje, é o que dizem os jornais. Ainda espero uma notícia desmentindo essa informação, mas não sei se virá. Escrevi em janeiro o seguinte post: http://lampertop.com.br/?p=990 e após dias sem entrar no twitter, eu infelizmente estava por lá quando soube do ocorrido.

Saí rapidamente antes que excluísse uma multidão de meu twitter, pelos comentários imbecis e brincadeirinhas de mau gosto. Amy fez as piores escolhas possíveis em sua vida, mas não teve muito apoio para fazer escolhas melhores. Dava um certo desespero ver a imprensa fazer comentários cruéis e agressivos como se ela não fosse um ser humano e, por outro lado, o mesmo desespero ao vê-la ser reverenciada por músicas com letras que louvavam seu estilo de vida, como “Rehab”. Quando a mãe dela sugeriu que parassem de premiá-la, pois aquilo estava apenas reforçando o comportamento destrutivo, foi censurada e ridicularizada.

Sugaram até a última gota de sangue de Amy e agora deliciam-se com sua morte, como aves de rapina. Como fizeram com Michael Jackson, como fizeram com Elvis Presley, como fizeram com tantos outros ícones da música…pessoas que deixam de ser pessoas, são pisoteadas pela mídia e pela crueldade humana em geral e depois de irem para o lixo, esse lixo é embalado em papel especial de glamour como se fosse sublime morrer por overdose, jogado em um canto qualquer da sala de jantar.

Fico triste pela extrema falta de amor ao próximo e pela hipocrisia alarmante que se expressa nesses momentos (a imprensa agora irá exaltá-la no mais alto grau, enquanto nos comentários as pessoas alternarão entre brincadeiras de mau gosto e retratos de crueldade). Prefiro desligar a internet e mergulhar no trabalho, que ganho mais. Mas não conseguiria deixar de desabafar aqui e de externar meu profundo pesar por essa menina ter morrido lentamente diante de nossos olhos durante anos e ninguém ter feito nada para evitar. As escolhas dela foram erradas, e as escolhas de todos os outros que estavam perto, que poderiam ter se esforçado, também.

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A responsabilidade é dela, acima de tudo, por aceitar esse mal em sua vida sem lutar com todas as suas forças para se livrar dele. Mas  também é de todas as outras pessoas que poderiam ter estendido a mão, poderiam ter pensado “dane-se o dinheiro que vamos perder, não podemos tirar a dignidade dela e fazer com que se afunde ainda mais”. Ela já estava melhor, havia engordado um pouco, conseguiu deixar as drogas, estava lutando para largar o álcool e parece que teve uma recaída fatal. Muitas pessoas conseguem largar sozinhas os vícios, mas infelizmente a maioria não tem essa força e vira escrava, literalmente.

Você realmente acha que alguém queira destruir sua vida, sua carreira e morrer de maneira estúpida? Você realmente acha que alguém escolheria isso para a sua vida ao invés de um futuro longo, cheio de alegria, saúde e realizações pessoais e profissionais? Ela poderia ter feito mais por si mesma, nós poderíamos estar fazendo mais por nós mesmos e pelos que estão à nossa volta, sofrendo, precisando de ajuda e sem ter forças para sair do buraco. No entanto, só o que sabemos fazer é criticar e apontar o dedo. E volto ao texto de janeiro http://lampertop.com.br/?p=990 ” É por essas e outras que eu digo que se realmente houver vida inteligente fora da Terra, se for realmente inteligente, certamente mantém distância segura deste planeta.”


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PS: E você que não consegue parar de fumar? E você que entorna garrafas e garrafas de bebida até não conseguir se manter em pé? E você que se enche de remédios todos os dias? E você que come porcarias até passar mal? E você que nutre uma mágoa contra alguém e nem pensa em perdoar? E você que olha a vida (sua e dos outros) com maus olhos? Será que você também não está se matando aos poucos? Será que também não está “buscando esse fim”? O que te leva a achar que tem o direito de apontar o dedo para Amy Winehouse e dizer que ela simplesmente encontrou o que queria?

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Dandara procura um lar

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Pessoal, meu vizinho resgatou uma ninhada, distribuiu entre os amigos e conhecidos e essa gatinha encalhou. Ele não entende muito de gatos, resolveu pesquisar na internet e descobriu que tinham que ser castrados e que não era caro castrar, então castrou todos os filhotes antes de doar (amei essa pessoa por isso…ele não tinha informação, mas quando teve, fez algo de útil com ela).

Hoje eu conheci essa história, e a Dandara, quando ela apareceu na frente da minha casa (só comigo mesmo…) dizendo “miau”. Abriu a basculante do banheiro e como mora no térreo, foi parar no pátio do condomínio e não sabia voltar. Pois é, uma coisinha minúscula dessas abriu a basculante do lavabo, porque é facinho de abrir.

O casal que cuida dela já tinha saído para trabalhar, então eu recolhi a criaturinha e a deixei hospedada no quarto 2, com caixinha de areia, água, ração e um ratinho verde que acabou ficando com ela. Tive que sair e voltei no final da tarde, quando me contaram que ela está para adoção e ele não pode ficar com ela porque está com uma crise violenta de rinite alérgica que começou quando ela chegou, ele desconfia que é alérgico a gato. Mas é uma pena, pois realmente se deu bem com ela e tem a maior paciência! Só que não dá para insistir, um cara que nunca teve gato na vida e não tem intenção de telar as janelas, por melhor pessoa que seja, não vai arriscar a saúde por um gato. Espero conseguir um lar responsável antes que ele doe sem grandes critérios. Missão quase impossível.

Dandara é uma fofa, mas super agitada, ligadinha na tomada mesmo, sabe como é? Então vamos ao anúncio:

Dandara está para adoção em São Paulo – capital (Zona Norte). Já está castrada, tem 4 meses e é muito ativa, brincalhona e elétrica. Um vizinho meu está cuidando dela, mas ele é alérgico e precisa doá-la. Já doou os irmãozinhos (encontrou a ninhada abandonada) e está procurando dono para a Dandara. Como ela é muito sem noção, tem de ser para casas protegidas e janelas teladas, não pode ter acesso à rua.


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Gente, olha esse narizinho rosa com uma pintinha sexy!!! E ela é super alegrinha, sabe aqueles gatos que brincam em pulam o tempo inteiro? Para pessoas não muito normais.

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Olha que fofura….quando fiz esse vídeo, ainda não sabia se era macho ou fêmea, e nem sabia que estava para adoção, por isso chamo de “gatinho”…risos…mas é estupidez, porque ela tem a maior cara de menina!!!

É uma pena que não possam ficar com ela. Eles nunca tiveram gatos, mas estão dando Golden para filhotes e usando uma areia que custa vinte e sei lá quantos Reais o pacote de 3 quilos. Tipo…a gente tem de torturar alguns candidatos a adotantes para que cogitem fazer isso…as chances de ele encontrar alguém que cuide tão bem assim da Dandara são mínimas.

Sem contar que ela é doida, completamente pirada (como dá para perceber no vídeo), e poucas pessoas teriam paciência… por isso vim aqui pedir a vocês que me ajudem a divulgar essa fofa. Podem colocar em blogs, enviar por email, fiquem à vontade. Espero que consigamos um lar para essa coisinha desparafusada, ela é muito inteligente, divertida e linda!

Caso queira adotar a Dandara, não esqueça, me escreva no vslampert@gmail.com com o assunto: Dandara

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Fofura atroz
Vanessa Lampert | 19 de julho de 2011 | x | Sem categoria | Nenhum comentário

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Ave da espécie Passarinhus Fofinhus, mostrando toda a sua fofura sobre a árvore do vizinho nesta manhã de terça-feira. Tirei fotos de dois indivíduos, embora pareça ser apenas um. Eles são muito rápidos, se movem com grande velocidade e por isso pode até ser que seja o mesmo, mas tive muito a impressão de que eram dois, em momentos e locais diferentes.

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Cuidados básicos com seu colchão inflável
Vanessa Lampert | 12 de julho de 2011 | x | Sem categoria | 1 comentário

Item 1: Não deixe seu colchão inflável ao alcance de felinos malucos (considere que “felinos malucos” é um pleonasmo).

Ricota é amadora. Ela chegou e deu uma ou duas mordidinhas no colchão inflável (não, eu não trouxe meus móveis para São Paulo e sim, tenho tentado me virar há dois meses com um colchãozinho inflável comprado na Decathlon, que eu poderia ter tranquilamente comprado no Carrefour), em local incerto e não sabido, e me obrigou a inflar o bendito colchão ao acordar e antes de dormir. Beleza.

Tiggy esperou, pacientemente, que suas unhas crescessem e, confiante que sua mamãe humana esqueceria de cortá-las novamente antes que elas se tornassem potencialmente fatais, planejou durante um mês o ataque terrorista mais perigoso da história desta família.

Hoje de manhã acordo com um gato amarelo muito doido colado na lateral do colchão, fingindo caçar um ratinho de brinquedo, cravando suas unhas no colchão inflável, sem dó, nem piedade. Levei alguns segundos para entender a gravidade da situação e gritar um “Não, Tiggy!!!” que o fez correr, feliz da vida, sabendo que fez uma bagunça incrível.

Já li em alguns sites de especialistas em comportamento felino, que não se deve dizer “não” acompanhado do nome do indivíduo bagunceiro. Até hoje ninguém me explicou o porquê, mas se eu fizer isso, acredite, eles me ignoram solenemente. Se dizendo o nome eles já olham com cara de “hã? É comigo?” imagina se eu não disser!!

Pois bem… algumas horas mais tarde, comecei a ouvir um “fiiiiiiiii” de ar escapando por algum lugar do colchão. Ricota, impressionadíssima, me ajudou a encontrar o furinho. Coloquei um adesivo (que a deixou ainda mais impressionada com a coisa toda) e parecia ter dado certo, mas algo me dizia que aquele não era o único furo…certamente estava acompanhado de toda a sua família em volta do colchão.

Inflei o colchão novamente e saí. Algumas (poucas) horas depois retornei, e eis que havia dois gatos visíveis em cima do colchão…e o Gatão quase submerso, provavelmente encostando no chão (tadinho do meu gato-baleia). O negócio estava praticamente desinflado!!! Inflei novamente e agora, menos de duas horas depois, sinto meu quadril tocar o solo…acredito que amanhã de manhã acordarei no chão…valeu, Tiggy!

No meio disso tudo, surrupiaram meu cartão de crédito no metrô e o novo cartão ainda não chegou…ou seja…terei de esperar mais um pouco antes de providenciar a bendita cama box que eu estava enrolando para comprar…mas como disse Jó, “eu sei que meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a Terra”…

O episódio do metrô apenas aumentou a revolta dentro de mim contra essa pobreza de ter de usar o metrô lotadão por falta de opção. Preciso de um carro estacionável, com o qual eu possa ir ao trabalho…e agora preciso fazer segunda via da minha habilitação, já que ela foi junto da carteira que o larápio surrupiou no vagão do metropolitano.

Aí eu esbarro em outro problema…a CNH é Carteira NACIONAL de habilitação, mas o DETRAN é Departamento ESTADUAL de trânsito…hoje resolvi dar um pulo no Detran de São Paulo e saí correndo na mesma hora. Mais lotado do que o metrô. A fila para o balcão de informações dava algumas voltas em torno de si mesma e eu desisti. Prefiro pedir minha segunda via no Rio Grande do Sul, mesmo, que a coisa é mais civilizada.

Enquanto escrevo essas bem traçadas linhas, o Gatão dorme em cima da mala (???…é uma mala rígida, o que não me parece um lugar muito confortável de se dormir), a Ricota e o Tiggy aqui comigo no colchão, com um ar de profunda satisfação felina, dever cumprido. Eu, sentada no colchão, sinto o piso sob mim…adiós, colchão inflável, lutou bravamente e sucumbiu diante do inevitável.

No problem, em breve terei móveis de verdade nesta casa. Móveis que não explodirão ao toque de unhas felinas…para a tristeza dos meus gatinhos.

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